ESG na construção civil: como esse conceito destaca a construtora no mercado
O setor de construção civil é um dos mais poluentes do mundo. Segundo o último relatório do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA) em parceria com a Aliança Global para Edifícios e Construção, o setor consome 32% da energia global e contribui para 34% das emissões globais de CO₂.
Levar o ESG para a construção civil é imprescindível para o desenvolvimento de um planeta mais sustentável. Neste post, você entenderá o que essa sigla significa e como aplicar seus conceitos no dia a dia de trabalho.
O que é ESG?
Ambiental, Social e Governança (Environmental, Social and Governance) ou ESG é um conjunto de práticas que as empresas devem tomar para tornar o planeta mais ético, saudável e sustentável. Seu grande diferencial é não focar apenas em iniciativas ecológicas, como o uso de materiais recicláveis — vai desde o uso de tecnologias menos poluentes até a remuneração justa pela mão de obra.
Tipos de resíduos da construção civil
Um dos principais fatores poluentes da construção civil é a quantidade de resíduos que o setor produz. Chamados de resíduos de construção e demolição (RCD) ou resíduos da construção civil (RCC), eles são gerados pelas construções, demolições, reformas e reparos, além da preparação e escavação de terrenos.
Os RCCs se dividem em diferentes classes:
- classe A: resíduos reutilizáveis ou recicláveis que podem ser reaproveitados pela construção civil, como tijolos, concreto e telhas;
- classe B: resíduos recicláveis que podem ser utilizados fora da construção civil, como plástico e papel;
- classe C: resíduos que não podem ser reciclados ou recuperados por falta de tecnologia e inviabilidade econômica;
- classe D: resíduos perigosos ou com componentes nocivos à saúde, como tintas e solventes.
Conhecer os resíduos permite que a construtora saiba o que pode ou não ser reaproveitado.
Por que o ESG é tão importante na construção civil?
Alto impacto ambiental do setor (resíduos, consumo de água e energia)
Relevância social das obras
Uma obra traz tanto impacto para um espaço urbano que a construtora precisa de autorização da prefeitura para executá-la — e, dependendo do espaço e do local, dificilmente conseguirá. Por exemplo: uma obra perto de uma reserva ambiental dificilmente será permitida; o mesmo ocorre com a demolição de uma fachada de valor histórico.
A construção civil também segue com alta demanda por trabalhadores. Segundo o Mapa do Trabalho Industrial, divulgado pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), a construção civil é a segunda área com a maior demanda por formação, necessitando qualificar 1,4 milhão de trabalhadores entre 2025 e 2027.
Consumidores mais conscientes
Uma construtora que estimula o uso de ESG na construção civil traz um diferencial de mercado para clientes mais conscientes.
Para estimular essa iniciativa, a Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), por meio da Comissão de Responsabilidade Social (CRS), promove o Prêmio CBIC de Responsabilidade Social. Criado com o objetivo de estimular um setor mais ético, responsável e sustentável, o evento utiliza os princípios da ISO 26000 — conjunto de normas internacionais para responsabilidade social.
O Prêmio CBIC vai para sua 18ª edição em 2026.
Como adotar o ESG na construção civil
Como visto, a construção civil é um dos setores mais poluentes da atualidade. Porém, avanços só são possíveis quando há força de vontade, estudo e proatividade.
Veja como você pode desenvolver projetos socialmente responsáveis e contribuir com a adoção do ESG na construção civil.
Energia renovável
O Brasil já é o quarto maior gerador de energia solar no mundo. No Brasil, essa tecnologia já tem 22% da malha elétrica do país. Entre os estados, Minas Gerais aparece em primeiro, seguido por São Paulo e Rio Grande do Sul.
O mais interessante é que, entre os imóveis abastecidos pela geração de energia solar própria, as residências lideram, com 69,2% do total. Usar painéis fotovoltaicos, por exemplo, é um investimento alto, mas que enriquece o projeto e valoriza o imóvel.
Adotar a energia solar é uma forma inteligente de diminuir os gastos com eletricidade e criar uma rede elétrica preparada para essa tecnologia. Além disso, traz um diferencial para a construtora, pois nem todos os profissionais dominam o trabalho de instalação dos painéis.
Uso consciente de recursos
Segundo o Panorama de Resíduos Sólidos 2025, estima-se que foram gerados 46,4 milhões de toneladas de resíduos de construção e demolição (RCD) em 2024 — um aumento de 4,3% em relação ao ano anterior.
Treinar as equipes para fazer um bom manejo dos materiais não apenas evita gastos com a compra de excedentes, mas também evita a produção de mais lixo que, em muitos casos, não pode ser reaproveitado.
Descarte correto
Além de poupar os materiais, outra forma inteligente de adotar o ESG na construção civil é por meio do descarte correto de resíduos. De acordo com a Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS), assim como para outros tipos de resíduos, os principais responsáveis pela gestão adequada de RCD são os próprios geradores.
Outro problema é a grande quantidade de lixo que não tem o destino correto. Infelizmente, o país ainda conta com 3 mil lixões ativos. Além disso, muitos resíduos vão para os aterros sanitários quando poderiam ser reaproveitados ou reciclados.
Fazer o descarte correto e reaproveitar o que ainda tem utilidade são maneiras eficazes de diminuir a quantidade de lixo de uma obra.
Gestão da água
Como um setor poluente, a construção civil também consome e polui uma grande quantidade de água. De acordo com o US Green Building Council, o setor consome mais de 20% da água tratada no mundo. Para que esse impacto diminua, cada construtora deve tomar a responsabilidade de fazer uma gestão mais inteligente desse consumo.
A captação de águas pluviais pode ser feita tanto pela construtora em si quanto no projeto, permitindo que o imóvel armazene água da chuva para atividades de limpeza da casa.
Remuneração e oportunidade de crescimento
ESG não é apenas ecologia, mas também a construção de um mundo mais saudável — e isso se aplica também às condições de vida do trabalhador. Para se ter uma ideia, o setor segue com demanda aquecida, porém com baixa oferta de profissionais qualificados.
Para que o profissional se interesse por essas vagas, é preciso oferecer oportunidades de crescimento. A construtora pode trazer capacitação profissional por meio de cursos e workshops. Salários atrativos e benefícios também são importantes. Afinal, mostram que a empresa valoriza o trabalhador e, em um mercado que pede tanta mão de obra, podem ser o fator-chave para que ele escolha a sua empresa.
Monitore as iniciativas com o App Diário de Obra
Como visto, é possível implementar o ESG na construção civil por completo. O importante é educar as equipes e monitorar as ações continuamente. E para isso, conte com o App Diário de Obra.
Crie checklists para verificar se todas as etapas de uma iniciativa ESG estão sendo cumpridas. Confira EPIs, equipamentos, trabalhadores, métodos de trabalho e muito mais. E se ainda tiver dúvidas, faça seu cadastro e aproveite a plataforma gratuitamente por 30 dias.
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