Mulheres na construção civil: avanços e desafios

Mulheres na construção civil: avanços e desafios

O número de mulheres na construção civil vem crescendo continuamente. Dados do IBGE mostra que houve um aumento de 120% no número de mulheres atuando no segmento entre 2007 e 2018. Só nos primeiros meses de  2025, o crescimento do público feminino foi de 8,7%.

Apesar desse aumento expressivo, a participação feminina na construção civil ainda é muito tímida: apenas 8,9% trabalham formalmente no setor. Então, será que o setor está realmente se abrindo às mulheres ou elas que “impõem” sua presença com competência e qualificação acima da média?

Neste texto, vamos falar um pouco mais sobre a participação das mulheres na construção civil. Continue a leitura:

Lina Bo Bardi, a pioneira 

Uma das presenças femininas mais marcantes na construção civil é a de Lina Bo Bardi. Nascida na Itália, ela se naturalizou brasileira após a II Guerra e, no país, criou uma série de projetos que marcaram a arquitetura, como o Museu de Arte de São Paulo (MASP).

Um fator interessante de seu trabalho foi ter unido seu conhecimento em arquitetura moderna com a paixão pela cultura popular brasileira. Na Bahia, foi responsável pela restauração do Solar do Unhão e projeção do Museu de Arte Moderna da Bahia (MAM Bahia) e do Museu de Arte Popular (MAP). Já de volta a SP, projetou o Sesc Pompeia, uma de suas obras mais marcantes.

Além de Lina, há diversas arquitetas que marcaram a arquitetura brasileira, mas que não receberam o mesmo reconhecimento dos homens. Alguns nomes são Dora Alcântara, Lota de Macedo Soares, Enedina Alves Marques, primeira mulher negra a se tornar engenheira no Brasil, e Rosa Grena Kliass, considerada a primeira paisagista do Brasil.

Mulheres na construção civil: presença tímida, mas qualificada

Como visto, há grandes mulheres na arquitetura, mas falta reconhecimento. E quando falamos no mercado de trabalho, essa percepção é ainda mais marcante. 

Segundo os dados do IBGE, o setor com a menor presença de mulheres é o da construção civil — um dos setores que mais empregam no Brasil e que apresentou o terceiro melhor crescimento no produto interno bruto (PIB) em 2024. Para se ter uma ideia, dos 6,9 milhões de trabalhadores do segmento, apenas 253 mil eram mulheres.

A construção civil, porém, parece ser um local de extremos. Apesar de ter uma força de trabalho feminina bastante reduzida, é também o segmento em que a diferença salarial mais a favorece. Enquanto o salário médio dos trabalhadores homens era de R$ 2.119, as mulheres recebiam R$ 3.326. É preciso lembrar que, em média, elas recebem 20,9% a menos do que eles no país.

Obviamente, a presença masculina na parte operacional é muito maior, principalmente entre pedreiros e ajudantes, o que ajuda a “dissolver” a média salarial. Contudo, outra interpretação válida é que as mulheres da construção atuam em setores que exigem mais qualificação acadêmica, com ensino superior ou técnico.

Auxílio da lei

O Projeto de Lei (PL) 5358/2020 quer tornar obrigatória a reserva de 5% de vagas para as mulheres ocuparem nos postos de trabalho operacional das empresas de construção civil. Segundo o site da Câmara dos Deputados, o PL aguarda a designação de um relator na Comissão de Trabalho (CTRAB). A última atualização é de março de 2023.

Iniciativas que promovem a inclusão de mulheres na construção civil

Para aumentar a participação feminina no segmento, muitas organizações criaram projetos de qualificação e promoção das mulheres nas empresas. Conheça alguns deles:

Projeto Elas Constroem

Iniciativa do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI) com a Comissão de Responsabilidade Social (CRS) da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), o Projeto Elas Constroem traz turmas exclusivas para mulheres em cursos de qualificação profissional.

Realizado com a metodologia “Aprendendo a Construir”, do SENAI, o projeto contempla quatro ocupações: pedreiro de alvenaria, armador de ferragem, carpinteiro de obras, pedreiro de acabamento e execução de revestimento. As turmas ocorrem em 11 estados brasileiros.

O Projeto Elas Constroem faz parte do Plano Nacional de Capacitação para Construção Civil, que oferece formação gratuita para trabalhadores de baixa renda. As aulas são ministradas no próprio canteiro de obras, unindo teoria e prática.

Instituto Mulher em Construção

Desde 2006, o Instituto Mulher em Construção é uma organização social que capacita mulheres em situação de vulnerabilidade e violência doméstica para o mercado da construção civil. Além de empoderar essas mulheres e proporcioná-las uma profissão em um segmento que emprega constantemente, o projeto luta pela redução da desigualdade e incentiva a diversidade de gênero.

As mulheres podem aprender a fazer:

  • pintura e reparo de parede;
  • assentamento de piso;
  • pequenos reparos;
  • ferramentas;
  • hidráulica;
  • elétrica;
  • gesso.

O projeto Mulher em Construção está presente em São Paulo e algumas cidades do Rio Grande do Sul.

Projeto Mão na Massa

No Rio de Janeiro, o Projeto Mão na Massa — Mulheres na Construção Civil é uma iniciativa da engenheira Deise Gravina, diretora do Instituto Protetor dos Pobres e Crianças — Abrigo Maria Imaculada (IPPCAMI), em parceria com o Programa Petrobras Socioambiental. Desde 2007, o projeto oferece qualificação em construção civil para mulheres em vulnerabilidade social.

Nas 536 horas de aprendizado, o Mão na Massa oferece formação profissional para formar pedreiras de alvenaria, eletricistas, carpinteiras de forma, pintora, azulejista e bombeira hidráulica. Como a prática ocorre em obras reais, as alunas recebem equipamentos de proteção individual (EPIs), uniformes, alimentação e kit de ferramentas.

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