Sapatas de obra: o que são e quais as suas funções

Sapatas de obra: o que são e quais as suas funções

Uma das estruturas mais populares nas obras brasileiras é a sapata. Ideal para terrenos firmes, consegue se adaptar facilmente ao solo argiloso, muito presente no país. Se você deseja fazer obras residenciais, por exemplo, entender como construí-las é fundamental.

Se você tem experiência com construção civil, sabe muito bem que não existe apenas um tipo de uso, estrutura ou formato de sapata na obra. Neste texto, você entenderá melhor o que é, tipos e funções dessa estrutura. Continue a leitura!

O que é uma sapata de obra?

A sapata de obra é um bloco de concreto armado construído embaixo dos pilares ou das paredes estruturais de uma edificação. É a parte mais larga e inferior do alicerce. Sua função é distribuir a carga da estrutura sobre uma área maior do solo, o que evita que o terreno ceda ou rache com o peso.

É um dos tipos mais comuns de fundação superficial ou rasa — que fica até 3 metros do nível do terreno.

Quais são os tipos de sapata?

Há vários tipos diferentes de sapata. Veja os mais utilizados nas construções brasileiras:

Sapata isolada

É a sapata que apoia um único pilar. É a mais comum em casas e prédios pequenos e pode apresentar diferentes formas, como retangular, quadrada ou trapezoidal. Use em obras com pilares bem distribuídos e solo firme, que aguenta bastante pressão. 

Sapata corrida

Apoia paredes contínuas, como muros ou paredes estruturais, e pilares enfileirados. Ideal para quando a carga é linear e não pontual. É muito comum em paredes de alvenaria estrutural ou muros de arrimo.

Sapata associada

Também chamada de combinada, a sapata associada liga dois ou mais pilares próximos com uma viga de equilíbrio. Utilize quando as sapatas se sobrepuserem, houver interferência entre elas ou quando duas colunas estiverem muito próximas, sem espaço para duas sapatas isoladas.

Sapata com viga de equilíbrio

A sapata com viga de equilíbrio une sapatas isoladas para equilibrar esforços. É a escolha ideal quando há diferença entre a base da sapata e o centro de gravidade do pilar. 

Sapata combinada

Usada quando um dos pilares fica perto do limite do terreno, a sapata combinada sustenta vários pilares próximos em um único bloco. Utilize-a em estruturas compactas ou quando houver limitações de espaço. 

Sapata ou bloco de coroamento?

A sapata em bloco de coroamento é um tipo especial usado em fundações com estacas.
Ela as une e transmite a carga do pilar para elas. Utilize-a quando o solo superficial for fraco.

A diferença entre sapata e bloco de coroamento está no seu posicionamento na estrutura da obra. Enquanto a sapata é o elemento final de sustentação, o bloco é o intermediário, que divide o peso de um pilar entre as estacas.

Sapata rígida ou flexível?

Um mesmo tipo de sapata na obra pode ser rígido ou flexível, já que essa classificação se refere à sua estrutura. O uso, claro, depende do tipo de construção e terreno. 

A sapata rígida tem espessura grande e resiste por compressão simples. Já a flexível é mais fina, mas conta com uma armadura, geralmente de aço, para resistir à flexão.

Por que usar sapatas na obra?

Como visto, a sapata é uma fundação superficial, portanto o ideal é que o solo seja firme. O recurso costuma ser utilizado em solos argilosos, muito comuns no Brasil. 

Execução rápida

A principal vantagem é que as sapatas são de execução rápida e não necessitam de equipamentos específicos ou de transporte. Porém, é preciso ter certeza de que o terreno está homogêneo e firme.

Baixo custo

Por serem fundações rasas, exigem menos escavação, menos concreto e menos aço que as fundações profundas, como as estacas.

Adaptação a solos de boa capacidade

Quando o solo é resistente nas camadas superficiais, não há necessidade de perfurações profundas. A sapata é perfeita para esse tipo de condição geotécnica.

Segurança e estabilidade

Com dimensionamento correto, as sapatas garantem estabilidade estrutural, resistência a esforços de compressão, flexão e durabilidade da fundação. São um sistema simples, mas extremamente eficaz.

Como fazer uma sapata para obra?

Veja o passo a passo para construir sapatas na edificação de um projeto.

Projeto e locação

Tudo começa com o projeto estrutural do engenheiro. Ele definirá o tipo de sapata, dimensões, tipo e quantidade de aço e de concreto da estrutura. Depois, é feita a locação da fundação no terreno, ou seja, a marcação exata dos pontos onde as sapatas serão executadas. Essa marca é feita com estacas, linhas e nível.

Escavação

Escava-se o solo até a cota de fundação indicada no projeto, que depende da profundidade da camada resistente. O fundo da escavação deve estar nivelado e limpo; se o solo for fofo, pode ser necessário compactá-lo ou aplicar lastro de brita.

Lastro de brita ou concreto magro

Antes da sapata, coloca-se uma camada de nivelamento, que pode ser de brita compactada (5 a 10 cm) ou concreto magro (traço 1:4:8). Essa camada evita o contato direto da armadura com o solo e nivelar a base.

Armação de aço

Sobre o lastro, monta-se a armação de aço, conforme o projeto estrutural. Normalmente, a armação é uma grelha de ferros longitudinais e transversais. A equipe utiliza espaçadores para manter o cobrimento (distância entre o aço e o concreto). Além disso, a armadura do pilar deve ser chumbada na sapata.

Fôrmas

Para conter o concreto, construa uma fôrma de madeira ou metálica em volta da sapata. Lembre-se de deixá-la bem nivelada e sem vazamentos. Quanto mais alta a fôrma, mais espessa será a estrutura.

Concretagem

Despeja-se o concreto, de forma contínua, sobre a fôrma. Durante o lançamento, utilize o vibrador mecânico ou manual para eliminar bolhas de ar. Após o nivelamento, faça o acabamento da superfície.

Cura do concreto

O concreto precisa curar por pelo menos 7 dias. Mantenha a sapata úmida com lonas plásticas ou aspersão de água. Essa etapa é crucial para garantir sua resistência final.

Continuação da estrutura

Depois que o concreto atingir a resistência necessária, retire as fôrmas. A sapata está pronta. Agora, é hora da montagem do pilar ou da parede estrutural sobre essa estrutura.

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