Slump test: o que é e como realizar
Garantir a qualidade do concreto é uma etapa crítica para a segurança das estruturas — já falamos aqui no blog sobre a importância do rastreamento de concreto. Entre os diversos ensaios utilizados no controle tecnológico do concreto, o slump test (ou ensaio de abatimento do tronco de cone) se destaca como um dos mais simples.
Para uma construtora, dominar o slump test é uma questão estratégica. Afinal, o controle adequado da funcionalidade do concreto impacta diretamente na produtividade da obra, na redução de desperdícios e na prevenção de patologias futuras.
Neste post, você vai entender o que é o slump test e como realizá-lo corretamente. Confira!
O que é o slump test?
O slump test é um ensaio que mede a consistência do concreto fresco, ou seja, o quanto ele se deforma após a retirada de um molde padronizado. Chamada de abatimento, essa deformação é medida em milímetros e reflete a fluidez da mistura. Quanto maior o abatimento, mais fluido é o concreto; quanto menor, mais rígido.
Esse ensaio é normatizado no Brasil pela NBR NM-67 e é amplamente utilizado em obras de todos os portes.
Por que o slump test é tão importante em uma obra?
Para uma construtora, o slump test não é apenas um procedimento técnico: ele é uma ferramenta de controle de qualidade essencial.
Controle da trabalhabilidade
“Trabalhabilidade” pode ser uma palavra estranha, mas resume características importantes do concreto. É a facilidade com a qual o material pode ser misturado, manuseado e moldado sem perder sua homogeneidade e coesão.
A trabalhabilidade do concreto influencia diretamente na facilidade de lançamento, adensamento e acabamento. Portanto, um concreto com slump inadequado pode gerar dificuldade de aplicação, má compactação e formação de vazios na estrutura.
A NBR 8953, que classifica os concretos de acordo com sua consistência, divide o concreto em 5 categorias para aplicação:
- S10 (abatimento a partir de 10 e abaixo de 50 mm): concreto extrusado, seco, duro, com baixíssima absorção de água. Utilizado em pavimentos de concreto compactado;
- S50 (a partir de 50 e abaixo de 100 mm): alguns tipos de pavimentos e elementos de fundações;
- S100 (a partir de 100 e abaixo de 160 mm): elementos estruturais com lançamento convencional do concreto;
- S160 (a partir de 160 e abaixo de 220 mm): elementos estruturais com lançamento bombeado do concreto;
- S220 (a partir de 220 mm): elementos estruturais esbeltos ou com alta densidade de armadura.
Garantia de conformidade com o projeto
Cada elemento estrutural exige uma consistência específica. O slump test permite verificar se o concreto entregue está de acordo com o especificado no projeto. Por exemplo:
- lajes: concreto mais fluido;
- pilares: consistência intermediária;
- fundações: concreto mais seco (dependendo do caso).
Redução de patologias
Um concreto com trabalhabilidade inadequada pode resultar em fissuras, segregação, exsudação (“fuga” da água de amassamento para a superfície do concreto ainda fresco) e baixa resistência. Com o slump test, a construtora evita problemas que podem gerar retrabalho, custos adicionais e até uma “mancha” na sua credibilidade.
Controle de fornecedores
Para construtoras que utilizam concreto usinado, o slump test é uma ferramenta essencial para validar a qualidade do material entregue pelo fornecedor.
Quais os equipamentos necessários para o slump test?
A execução do slump test exige poucos equipamentos. Sua construtora precisa de:
- molde tronco de cone (cone de Abrams);
- haste de adensamento (barra metálica);
- pá ou concha para coleta do concreto;
- base rígida e nivelada;
- régua ou trena.
Como realizar o slump test
A execução correta do ensaio é fundamental para garantir resultados confiáveis. Para facilitar o trabalho, a construtora deve seguir o estipulado na NBR NM-67. Veja aqui, de forma simples e resumida, o passo a passo para fazer o slump test:
- preparação da base: para realizar o teste, utilize uma superfície plana, rígida e não absorvente. Umedeça a base metálica e o molde do cone de Abrams para evitar aderência;
- posicionamento do molde: coloque o cone sobre a base e mantenha-o firme com os pés ou suportes;
- preenchimento em camadas. O molde deve ser preenchido em três camadas iguais, de aproximadamente 10 cm cada. Adense cada camada com 25 golpes da haste distribuídos uniformemente;
- nivelamento: após preencher a última camada, nivele o topo com a haste;
- retirada do molde: levante o molde lentamente e na vertical, evitando movimentos laterais ou bruscos;
- medição do abatimento: meça a diferença entre a altura original do molde e a altura final do concreto. O resultado é dado em milímetros.
Tipos de abatimento observados
Durante o slump test, o comportamento do concreto pode ser classificado de três formas.
No slump verdadeiro, o concreto se deforma de maneira uniforme e o resultado é confiável. Já no slump de cisalhamento, parte do concreto desliza lateralmente, o que pode indicar falta de coesão. Por fim, no slump colapsado o concreto desmorona por completo, o que mostra uma mistura muito fluida.
Para controle de qualidade, apenas o slump verdadeiro deve ser considerado válido.
O que influencia o resultado do slump test?
Diversos fatores podem alterar o abatimento do concreto:
- relação água/cimento: quanto maior a quantidade de água, maior o slump. No entanto, isso pode reduzir a resistência do concreto;
- tipo de agregado: agregados mais arredondados tendem a aumentar a trabalhabilidade.
- uso de aditivos: os plastificantes e superplastificantes aumentam o slump sem necessidade de adicionar água;
- tempo de transporte: o concreto perde trabalhabilidade com o tempo, especialmente em climas quentes;
- condições climáticas: altas temperaturas aceleram a perda de consistência.
Registre o slump test com o App Diário de Obra
Para registrar a consistência do concreto e tudo o que de mais importante aconteceu na construção, conte com o App Diário de Obra. Basta pegar seu celular ou tablet, abrir o App para criar seu relatório diário de obra (RDO) completo, incluindo os resultados do slump test.
Diariamente, você anota trabalhadores presentes, equipamentos utilizados, EPIs, alterações climáticas e muito mais.
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