Inadimplência na obra: por que ocorre e como evitá-la

Inadimplência na obra: por que ocorre e como evitá-la

Segundo o Mapa da Inadimplência, do Serasa, o Brasil terminou 2025 com 81,2 milhões de endividados. É até normal, portanto, que ocorra uma inadimplência na obra. Então, como a construtora deve administrar esse problema? Como segurar as finanças quando o pagamento dos clientes atrasa ou não chega?

Neste post, você entenderá quais os principais motivos para que o cliente fique devendo e o que fazer para evitar a inadimplência na obra. Continue a leitura:

Quais as principais causas para inadimplência na obra?

Veja quais os motivos mais comuns para o cliente começar a dever:

Falta de planejamento financeiro

Boa parte dos problemas aqui citados para inadimplência na obra vem justamente da falta de planejamento financeiro. O cliente começa a obra pensando no pagamento que vai receber. Contudo, algum imprevisto ocorre, o que o impede de continuar pagando como combinado. Dependendo da gravidade do problema, a obra é interrompida sem previsão de volta.

Crises financeiras do cliente

Fatores externos também pesam. O cliente pode ser demitido ou perder sua única renda; endividar-se ou ter que pagar uma emergência que necessita de alto investimento financeiro.

Quando a obra deixa de ser prioridade no orçamento, a inadimplência pode ocorrer.

Trabalho autônomo

Até mesmo quem é formalizado pode ter algum problema com pagamentos. Segundo o Sebrae, o Brasil conta com mais de 11 milhões de microempreendedores individuais (MEIs) com registro ativo. 

Esses profissionais também sofrem oscilações com pagamento. Como muitos deles começam uma obra pensando em pagar com o dinheiro que ainda vão receber, qualquer atraso nesse pagamento também impacta a obra.

Orçamento mal elaborado ou subestimado

Imagine pegar um produto na prateleira e, na hora de pagá-lo, descobrir que ele custa o dobro. Essa é a sensação que o cliente tem quando o orçamento não é claro ou, pior, subestima os custos da obra.

Quando o orçamento inicial não reflete a realidade, os valores começam a subir enquanto a obra avança. O cliente, claro, se sente enganado e, em muitos casos, para de fazer o pagamento.

Mudanças frequentes de escopo

O cliente pode desejar mudanças durante o projeto, mas não imaginar que elas significarão um custo adicional no orçamento.

Se essas alterações no projeto não estiverem bem documentadas e aprovadas, o cliente pode se recusar a pagar os valores extras.

Atrasos no cronograma

Da mesma forma que muitas construtoras estipulam um orçamento muito apertado para conquistar o cliente, há também aquelas que prometem entregar em um prazo muito curto, superestimando a capacidade da equipe.

Há uma série de problemas que podem causar atrasos na obra: interferências climáticas, abertura de frentes, greves, acidentes de trabalho e atraso na entrega dos materiais são alguns deles. Mesmo que seja impossível estipular um imprevisto, a construtora precisa imaginar o surgimento de um problema. Para que o cliente não sofra com atrasos, é preciso incluir 

Atraso gera frustração e desconfiança. Mesmo que o atraso não seja culpa direta da construtora (chuvas, fornecedores, aprovações), o cliente pode usar isso como justificativa para atrasar ou até parar de pagar.

Contrato fraco ou mal definido

O contrato precisa ser bastante claro sobre todas as obrigações do contratado (a construtora) e do contratante (o cliente). Ausência de cláusulas claras sobre formas e datas de pagamento, multas por atraso, reajustes e aditivos abre espaço para conflitos e inadimplência.

Problemas de qualidade 

Imagine que você comprou um produto que sempre sonha. Ao abrir o pacote, ele está danificado. Então, você percebe que o dano não foi na entrega, e sim na baixa qualidade dos materiais. Em poucos meses de uso, aquele item estragaria rapidamente. Por isso, você nem deseja trocar; apenas quer seu dinheiro de volta.

Baixa qualidade é um grande motivo para inadimplência na obra. Mesmo que tecnicamente o serviço esteja correto, se o cliente notar falhas, acabamento abaixo do esperado e falta de organização no canteiro, vai pensar duas vezes antes de continuar a obra. E se ele perceber que precisa solicitar retrabalho toda hora, pode usar esse motivo como argumento para não pagar.

A construtora pode começar a trabalhar sem parte do pagamento?

Até pode, mas não é uma ação juridicamente recomendada. Como visto, o número de inadimplentes no Brasil é muito alto, portanto a empresa pode construir a casa inteira, entregar ao cliente e não receber nada pelo trabalho.

O que fazer para evitar atrasos ou falta de pagamento?

Veja como resguardar sua construtora de problemas financeiros:

Emita contratos detalhados

Como dito, tanto a empresa quanto o cliente precisam estar cientes de seus deveres e obrigações. Portanto, faça um contrato detalhado. Mesmo que o cliente alegue não ter lido uma cláusula ou outra, tudo precisa estar descrito no documento e ser claro, de fácil entendimento.

Comece apenas com parte do pagamento

Mesmo antes de quebrar qualquer parede, a obra tem diversas despesas:

  • desenvolvimento do projeto da obra/reforma;
  • planejamento e cronograma;
  • compra ou reserva de materiais;
  • contratação de equipes;
  • logística e mobilização.

Iniciar o trabalho sem parte do pagamento obrigará sua empresa a cobrir grande parte dos custos. Portanto, não comece a trabalhar sem pelo menos 30% de sinal ou valor de mobilização (dinheiro que viabiliza a entrada da obra em operação).

Utilize um sistema de gestão de pagamento

Quando a construtora trabalha com diferentes clientes, é comum confundir quem pagou ou não. Dessa forma, meses se passam até você perceber quais clientes estão inadimplentes.

Um bom sistema de gestão de pagamento identifica os devedores com rapidez. Caso o cliente não pague até o vencimento, você pode entrar em contato dias depois para entender o ocorrido e negociar.

Notifique antes e depois do vencimento

Muitas vezes, o cliente deixa para pagar depois por julgar ser uma cobrança de menor importância ou por simplesmente se esquecer. Portanto, dias antes do vencimento, envie uma notificação por e-mail. No dia anterior, envie outra. 

Essas notificações devem ser programadas no sistema de gestão para que ele suspenda qualquer envio assim que o cliente fizer o pagamento.

O cliente não pagou? Notifique-o repetidas vezes, mas não diariamente. Intercale a cobrança pela semana e mostre-se aberto a negociações. Não faça ameaças: a ideia é que ele perceba a urgência de quitar os débitos quanto antes para não sofrer com juros e multas.

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