Cronograma físico-financeiro: o que é e como criar o seu
Uma das ferramentas mais importantes da construção civil, o cronograma físico-financeiro ajuda sua construtora a manter sua obra, do início ao fim, dentro do orçamento. Além disso, é uma ferramenta que abre portas para futuros clientes.
Segundo a Orientação Técnica n.º 01/2006, do Instituto Brasileiro de Auditoria de Obras Públicas (IBRAOP), o cronograma físico-financeiro é parte integrante do projeto básico de uma obra em licitação. Portanto, quem deseja trabalhar com órgãos públicos precisa entender como esse planejamento funciona.
Se sua construtora tem foco no mercado privado, entender sobre o sistema também é fundamental para o controle das finanças. Entenda um pouco mais sobre o que é, qual a importância e como montar seu cronograma físico-financeiro.
O que é o cronograma físico-financeiro?
Cronograma físico-financeiro é uma ferramenta de gestão de obras que integra os planejamentos técnico (físico) e financeiro (custos) de um empreendimento. Na prática, é uma representação gráfica que mostra, mensalmente, a porcentagem concluída da obra e o valor correspondente a ser pago ou desembolsado.
No planejamento técnico/físico, o gráfico mostra a sequência e os prazos das etapas da obra como fundação, alvenaria, instalações e acabamento. Já no financeiro, relaciona os custos de cada etapa e distribui os desembolsos ao longo do tempo, acompanhando a evolução do físico.
Geralmente, o cronograma físico-financeiro aparece como um Diagrama de Gantt — tipo de gráfico que mostra o avanço das diferentes etapas de um projeto. Os intervalos de tempo representando o início e o fim de cada fase aparecem como barras coloridas sobre o eixo horizontal do gráfico.
Como é a estrutura de um cronograma físico-financeiro?
Geralmente, um cronograma físico-financeiro conta com diversas colunas:
- uma coluna com as atividades listadas por ordem lógica de execução;
- descrição da atividade (opcional, se quiser detalhar): explica o que será feito (por exemplo: execução de sapatas, concretagem de vigas, assentamento de blocos);
- datas de início e fim de cada etapa;
- porcentagem do físico da etapa: peso daquela atividade no avanço total da obra (exemplo: fundação = 15% da obra);
- porcentagem do físico acumulado: soma do avanço físico até aquele ponto;
- custo da etapa (R$): valor previsto para aquela atividade;
- porcentagem do financeiro da etapa: peso daquela atividade no orçamento total (exemplo: estrutura = 20% do custo da obra);
- porcentagem do financeiro acumulado: soma do desembolso até aquele ponto da obra.
Por que é importante fazer um cronograma físico-financeiro?
Porque o cronograma é essencial para as finanças da empresa. Além de mostrar o progresso tanto da construção quanto do uso do dinheiro, o documento é exigido em muitos trabalhos.
Já mostramos o que a OT diz, mas a Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) também pontua sobre o registro. A NBR 16636-1, de 2017, diz, em seu parágrafo 3.59 (gerenciamento de obra ou de serviço técnico):
atividade desenvolvida e elaborada por profissional habilitado, que consiste na gestão dos aspectos técnicos e econômicos do desenvolvimento de uma obra ou serviço técnico, envolvendo a administração dos contratos e incluindo um rigoroso controle do cronograma físico-financeiro estabelecido, para as áreas de conhecimento, por exemplo, escopo, custo, tempo, qualidade, aquisições, recursos humanos, comunicações, riscos e partes interessadas
Como desenvolver um bom acompanhamento físico-financeiro?
Um bom cronograma físico-financeiro não é só um quadro de datas e valores; o acompanhamento precisa ser realista, coerente, constante e útil para o controle da obra. Veja como fazer seu:
Faça um bom planejamento
Não existe cronograma físico-financeiro sem planejamento. Afinal, se você fizer o orçamento “no chute”, terá problemas para justificar a falta ou excesso de capital no final da obra.
No levantamento inicial, defina o escopo da obra — projeto executivo, memorial descritivo e especificações técnicas, por exemplo. A partir daí, é possível fazer o orçamento detalhado, geralmente com base em composições de custo, como o SINAPI ou a TCPO. Essas são as principais tabelas de preço; o ideal é trabalhar com uma das duas.
Veja também quais os recursos disponíveis de mão de obra, equipamentos e insumos.
Divida o cronograma em etapas
Como dito, o cronograma físico-financeiro trabalha com o cumprimento de etapas em determinado período. Divida a obra em etapas e subetapas: fundação, estrutura, alvenaria, instalações, revestimentos e acabamentos. Não se esqueça de fazer uma sequência lógica das atividades — afinal, não dá para fazer revestimento antes da alvenaria.
Distribua os custos e prazos
Cada etapa exige uma quantidade específica de funcionários, recursos e dias de cumprimento. Na hora de precificar, considere materiais, mão de obra, equipamentos (inclusive os de proteção individual e coletiva) e despesas administrativas.
Faça a estimativa da duração de cada etapa considerando a produtividade real da equipe. Seus funcionários podem demorar mais tempo para cumprir cada etapa. Porém, a entrega é de qualidade, com bom acabamento e oferece segurança; fatores fundamentais quando falamos de uma construção. Em vez de colocar o prazo desejado de entrega, estime em médias reais.
Crie a parte visual do cronograma
O cronograma físico-financeiro é visual. O uso de um gráfico facilita muito a visualização e o entendimento dos dados. Não há um tipo único de mapa: embora o diagrama de Gantt seja muito utilizado, há também que prefira a curva S e a Linha de Balanço.
Utilize ferramentas de gestão
Não basta criar um cronograma físico-financeiro; a construtora deve avaliá-lo constamente. Afinal, esse registro é também uma ferramenta de controle. Portanto, você precisa de outras ferramentas para garantir que o que foi proposto será seguido.
O relatório diário de obra (RDO) e ferramentas de gestão serão fundamentais para acompanhar o que foi produzido e gasto em cada etapa do trabalho. Além disso, faça reuniões periodicamente para revisar e ajustar o que for necessário.
Coloque seu cronograma em prática com o App Diário de Obra
Para saber se seu cronograma físico funciona, nada melhor do que o registro diário de tarefas, funcionários e recursos. Essencial para qualquer obra, o RDO documenta tudo o que é necessário saber sobre a rotina de construção. E você não precisa mais de papel e caneta para criar seus relatórios.
Com o App Diário de Obra, você pode armazenar o arquivo do cronograma físico-financeiro para fazer checagens periódicas. Além disso, as informações postas em cada relatório serão essenciais para potenciais reajustes.
Tenha imagens, vídeos e tudo o que for essencial no seu relatório.
Adequação de imóveis comerciais às normas técnicas: como ocorre?
Entenda quais normas técnicas e exigências legais devem ser observadas para adequar imóveis comerciais, garantir segurança, acessibilidade e evitar problemas com órgãos públicos.
Qualidade na construção civil: qual a sua importância?
A gestão da qualidade na construção civil garante obras seguras, eficientes e alinhadas às normas técnicas e à satisfação do cliente.
6 erros no orçamento da obra que você não pode cometer
Conheça os 6 erros mais comuns no orçamento de obra e veja como evitá-los para proteger a margem de lucro e garantir preços sustentáveis na construção civil.
Dificuldade em documentar alterações e ocorrências
A documentação em um projeto de construção civil é fundamental para assegurar o sucesso e a organização de todas as etapas envolvidas.
Regularização de obras: documentos indispensáveis para não ter dor de cabeça
Veja quais documentos são essenciais para manter sua obra legalizada perante os órgãos públicos.
Prejuízos na obra: o que a falta de um diário de obra pode causar?
Entenda como a falta de um RDO gera prejuízos na obra e por que o diário de obras é essencial para controlar custos, evitar retrabalhos e proteger a construtora.