Como fazer a gestão de resíduos na construção civil

Como fazer a gestão de resíduos na construção civil

Na construção civil, entulhos são gerados constantemente. Dados do Panorama 2024 da Associação Brasileira de Resíduos e Meio Ambiente apontam que 44 milhões de toneladas de resíduos de construção e demolição (RCD) foram geradas no Brasil apenas em 2023.

O Plano de Gerenciamento de Resíduos da Construção Civil (PGRCC) é essencial para uma construtora. Afinal, uma boa gestão desse material pode evitar que boa parte dele seja descartada incorretamente. Além disso, o mercado precisa pensar em medidas que diminuam seu impacto no meio ambiente e na comunidade ao redor.

Neste texto, você entenderá o que são resíduos na construção civil e como criar seu PGRCC. Confira:

Quais os principais resíduos da construção civil?

Na construção civil, o material residual, que não será mais utilizando numa obra, pode receber três nomes:

  • Resíduo da Construção e Demolição (RCD);
  • Resíduo da Construção Civil (RCC);
  • Resíduos sólidos da construção civil (RSCC). 

Os três têm o mesmo significado. Mas quando falamos do tipo de resíduo, há diferenciações: ripas de madeira, por exemplo, não se classificam da mesma forma que a tinta de parede.

Segundo a Resolução n.º 307/2002 do Conselho Nacional do Meio Ambiente (CONAMA), os resíduos da construção civil se classificam da seguinte forma:

Classe A — Reutilizáveis ou recicláveis como agregados

Por sorte, são os mais comuns nas obras. Seu canteiro tem um vasto acervo de materiais que podem ser reutilizados ou reciclados como agregados. Exemplos:

  • peças pré-moldadas em concreto produzidas no canteiro de obra (blocos, tubos, meios-fios);
  • pedras e materiais de pavimentação;
  • restos de concreto e argamassa;
  • tijolos, blocos, telhas, cerâmicas;
  • solo de terraplenagem.

Esses resíduos podem ser usados em bases de pavimentação, aterros ou fabricação de novos materiais.

Classe B — Recicláveis para outros fins

Materiais que podem retornar à cadeia produtiva, mas com outros destinos fora do canteiro de obras:

  • metais (ferro, aço, alumínio, cobre);
  • plásticos (tubos, embalagens);
  • papel e papelão;
  • vidros.

Esses materiais devem ser separados e enviados para reciclagem.

Classe C — Sem tecnologia viável de reciclagem

São materiais cuja reciclagem ainda não é econômica ou tecnicamente viável. Alguns exemplos:

  • materiais compostos, como misturas de diferentes polímeros;
  • fitas de amarração de blocos de concreto;
  • sacos de cimento e argamassas;
  • espumas expansivas;
  • telas de proteção;
  • isopor (EPS);
  • lã de vidro.

Esses materiais devem ser encaminhados a aterros industriais ou áreas específicas.

Classe D — Perigosos

Resíduos que contêm substâncias nocivas à saúde e ao meio ambiente:

  • resíduos de demolições contaminadas
  • tintas, solventes, óleos e colas;
  • lâmpadas e pilhas;
  • amianto.

Esse tipo de resíduo não pode ser reciclado. Portanto, deve ser tratado e descartado conforme normas ambientais específicas.

O que é o PGRCC e por que ele é tão importante?

O Plano de Gerenciamento de Resíduos da Construção Civil (PGRCC) é um registro que estabelece os procedimentos necessários para o manejo e a destinação ambientalmente adequada dos resíduos gerados em uma obra. Esse documento identifica a quantidade de cada tipo de resíduo que será produzido e define as ações que sua construtora deve tomar desde a geração do resíduo até a destinação final.

A elaboração do PGRCC é uma exigência da Resolução n.º 307 do Conselho Nacional do Meio Ambiente (CONAMA) e da Política Nacional de Resíduos Sólidos (Lei n.º 12.305/2010). Contudo, o documento traz uma série de benefícios para a construtora, que vão muito além de apenas evitar multas:

  • redução de custos: ao planejar a gestão dos resíduos, é possível reutilizar os materiais no próprio canteiro, vender os recicláveis e diminuir os gastos com transporte e descarte em aterros;
  • eficiência operacional: um canteiro organizado, com espaços definidos para cada tipo de resíduo, é mais limpo, seguro e produtivo;
  • sustentabilidade e imagem corporativa: empresas que adotam práticas sustentáveis fortalecem sua imagem no mercado, atraindo clientes e investidores.

Estrutura de um PGRCC: passo a passo

Veja como estruturar um PGRCC conforme a Resolução CONAMA n.º 307:

Identificação do empreendimento e do gerador

O primeiro passo do PGRCC é caracterizar a obra e seu responsável. Inclua informações como o nome do empreendedor, CNPJ/CPF, endereço da obra, tipo de empreendimento (residencial, comercial), área total a ser construída e os dados do responsável técnico pela elaboração e implementação do plano.

Caracterização e quantificação dos resíduos

Esta é a fase de diagnóstico. Com base no projeto e no cronograma da obra, avalie a qual classe (A, B, C e D) se encaixa cada resíduo que será produzido durante o trabalho. Essa estimativa é fundamental para o planejamento logístico e financeiro da gestão dos resíduos.

Segregação

A separação na fonte é o passo mais importante para garantir a reciclagem e a reutilização dos materiais. Afinal, o simples contato entre itens das classes A e D pode contaminar 

todo o material, inviabilizando seu reaproveitamento

O PGRCC, portanto, deve detalhar como os resíduos serão separados no próprio canteiro de obras, de acordo com sua classificação.

Acondicionamento e armazenamento

Após a segregação, cada classe de resíduo deve ser acondicionada e armazenada temporariamente em locais específicos no canteiro. O PGRCC deve descrever os tipos de recipientes que serão utilizados (baias, caçambas, tambores) e a localização dessas áreas de armazenamento, que devem ser sinalizadas e de fácil acesso para o transporte.

Transporte

O plano deve indicar como os resíduos serão transportados do canteiro para as áreas de destino. Para se manter conforme as normas do CONAMAM, procure por empresas licenciadas e cadastradas nos órgãos ambientais competentes. O transporte irregular é uma infração grave e pode gerar pesadas multas tanto para o gerador quanto para o transportador.

Destinação final

O PGRCC deve apresentar as soluções para a destinação de cada classe de resíduo, priorizando a seguinte ordem, conforme a Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS):

  1. não geração: adote métodos construtivos que gerem menos resíduos.
  2. redução: otimize o uso de materiais;
  3. reutilização: reaproveite o material na própria obra, sem transformação. Por exemplo: uso de tábuas de madeira para outras finalidades;
  4. reciclagem: transforme o resíduo em um novo produto. Por exemplo: um entulho de classe A pode virar um agregado reciclado;
  5. tratamento: desenvolva processos para reduzir a periculosidade ou o volume do resíduo;
  6. disposição final: envie os rejeitos (aquilo que não pode ser aproveitado de forma alguma) para aterros sanitários licenciados.

Lembre-se de que o plano deve indicar os nomes e as licenças das empresas receptoras para onde os resíduos serão enviados.

Ações de educação ambiental

De nada adianta um plano bem escrito se a equipe da obra não estiver engajada. O PGRCC deve prever ações de conscientização e treinamento para todos os trabalhadores, explicando a importância da segregação correta e do manejo adequado dos resíduos.

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