Orçamento de obra: como criar o seu
Um dos passos mais importantes para conquistar um cliente é desenvolver o orçamento da obra. Num primeiro momento, pode parecer vantajoso estipular um capital mais baixo do que a concorrência pratica. Porém, os gastos com materiais, mão de obra e até custos indiretos exigem um cálculo sério. Se o valor for muito abaixo do necessário, sua empresa terá que arcar com o prejuízo.
Um orçamento de obra é um documento complexo, que lida com diversos itens — desde os diretamente ligados ao projeto até taxas e serviços administrativos. Contudo, traz segurança tanto para o cliente quanto para a construtora. Neste texto, você descobrirá os diferentes tipos praticados na construção civil, além de aprender como fazer o seu. Continue a leitura!
Tipos de orçamento para obra
Existem diversos modelos de orçamento, mas a construção civil trabalha com tipos específicos para seu mercado:
Estudo de viabilidade financeira
O estudo de viabilidade financeira (EVF) é uma espécie de pré-orçamento, ou seja, uma análise para saber se é possível colocar aquela obra em prática.
É mais indicado para a construção de um empreendimento, pois considera fatores como bairro, mercado e orçamento disponível. Portanto, o EVF ajuda a perceber que, embora o projeto esteja dentro do que a empresa pode pagar, é mais adequado a outro bairro ou terreno.
Orçamento preliminar
Também chamado de estimativa simples, o orçamento preliminar analisa a viabilidade do projeto ao compará-lo a outros semelhantes. Portanto, conta com dados ainda genéricos, como custos históricos, preços médios de mercado e tabelas SINAPI ou TCPO.
Orçamento paramétrico
O orçamento paramétrico se baseia em indicadores de custo por metro quadrado, tipo de obra, bancos de dados setoriais e benchmarks de mercado. Contudo, também conta com a experiência dos construtores para a estimativa dos custos. Seu objetivo é obter um valor rápido usando parâmetros padronizados — por exemplo, preço por m².
Esse tipo de orçamento não é indicado para a obra por completo, e sim partes específicas. Além disso, é uma alternativa adequada para a checagem dos itens de um orçamento executivo.
Orçamento analítico
O orçamento analítico ou detalhado levanta quantitativos e composições de custo item a item, como mão de obra, materiais, equipamentos, encargos sociais e BDI (benefícios e despesas indiretas). Mais indicado para planejamento executivo, controle de custos e elaboração de propostas comerciais precisas.
Orçamento sintético
O orçamento sintético é um resumo do analítico. Diferencia-se, porém, por se basear no valor unitário de cada tarefa futuramente executada na obra.
Orçamento executivo
Versão refinada do orçamento analítico, o orçamento executivo conta com todos os itens utilizados direta e indiretamente para a construção, incluindo serviços auxiliares e gastos indiretos. É o documento oficial para contratação, cronograma físico-financeiro e controle de execução.
O orçamento executivo inclui todas as composições, cronograma, fluxo de caixa, BDI, impostos e riscos previstos. Utilize-o antes da assinatura de contratos e início das obras.
Orçamento revisado
Também chamado de orçamento reprogramado, é um tipo de orçamento flexível. Você pode ajustá-lo durante a obra para refletir mudanças de projeto, preços ou cronograma.
Orçamento por ciclo de vida
É um tipo de orçamento que considera não só a construção, mas também a operação, a manutenção e o descarte da edificação. Seu objetivo é avaliar o custo total do empreendimento ao longo de toda sua vida útil.
Como fazer um orçamento de construção civil?
Para construir um orçamento de obra completo e confiável, siga o passo a passo:
Defina o escopo do projeto
Para começar a fazer o orçamento da obra, tenha em mãos o projeto executivo (com os projetos arquitetônico, estrutural, elétrico e hidráulico, por exemplo) e o memorial descritivo. Esses documentos fornecem todas as informações técnicas, especificações de materiais, dimensões e detalhes construtivos que servirão de base para o levantamento dos valores.
É importante que essa etapa ocorra em conjunto com os responsáveis pelo planejamento e execução da obra. Assim, o trabalho se desenvolverá de acordo com o escopo.
Veja a composição de custos
Há dois tipos de custos:
- diretos: referem-se aos serviços que ocorrem diretamente no canteiro de obras, como o material, os equipamentos e a mão de obra;
- indiretos: são os necessários para a obra ocorrer, mas não necessariamente ligados à obra em si, como o pessoal da área administrativa, seguros, taxas, equipamentos de proteção individual (EPIs) e coletiva (EPCs) e limpeza do canteiro.
Na hora de elaborar o orçamento, o orçamentista precisa levar em consideração os dois tipos de custo, mesmo que o primeiro pese muito mais que o segundo.
Faça o levantamento de quantitativos
Em obras, levantamento de quantitativos é o cálculo de quantos materiais e serviços a construtora precisará para executar a obra. O orçamentista, portanto, precisa não apenas observar quais os itens necessários para a obra em si, mas a medição e o tempo necessários para todos os serviços. Por exemplo:
- materiais: quantidade exata de cada tipo de cimento, areia, brita, tijolos, telhas, pisos, tintas, fiação e tubulações, por exemplo;
- serviços: medição de todos os serviços a serem executados, como metros quadrados de alvenaria, metros cúbicos de concreto, metros de tubulação e pontos de elétrica;
- equipamentos: horas de uso de máquinas e equipamentos, como betoneiras, andaimes, guindastes e ferramentas.
Prepare-se para contingências
Um percentual de contingências é essencial para imprevistos ou riscos identificados, como aumento de preço de materiais, retrabalho e eventos climáticos. Para tal, o responsável pelo orçamento estipula um percentual do valor total da obra (normalmente entre 5% e 10%), definido com base em análise de riscos.
Caso não queira trabalhar com a porcentagem no valor total, você pode fazer uma análise mais detalhada dos riscos potenciais (climáticos, de mercado, de mão de obra) e seus respectivos custos de mitigação. Com esse risco em mente, estipule um valor específico.
O orçamento de contingência deve ser utilizado sempre, especialmente em obras de maior complexidade ou com alto grau de incerteza.
Inclua o BDI
Além dos custos indiretos, você também precisa incluir o BDI (Benefícios e Despesas Indiretas), percentual aplicado sobre o custo direto total da obra para cobrir as despesas indiretas, a margem de lucro e os impostos. Essa taxa é composta pelas despesas indiretas, percentual de contingências, lucro (margem de ganho desejada pela empresa) e impostos (ISS, PIS, COFINS).
Trabalhe com bom custo-benefício
“O barato sai caro” é uma frase clichê, mas não mentirosa. Quando falamos de construção civil, a baixa qualidade de um insumo diminui a segurança da estrutura e, como consequência, pode significar vidas em risco.
Alguns produtos e serviços terão preço mais elevado e pesarão no orçamento da obra. Caso o cliente questione, explique sobre a influência daquele item no sucesso e na segurança da construção.
Não se esqueça do cronograma físico-financeiro
Embora não seja parte do cálculo do custo total, o cronograma físico-financeiro é um complemento essencial do orçamento da sua obra. Esse documento detalha as etapas da obra ao longo do tempo e a previsão de desembolso financeiro para cada período, o que facilita o controle de fluxo de caixa e permite aferir o progresso da construção.
Elabore orçamentos mais precisos com o App Diário de Obra
Para desenvolver um bom orçamento da obra, você também deve conferir o histórico do que já produziu em anos de trabalho. E nada melhor do que um relatório diário de obra (RDO) completo, com todos os custos, trabalhadores e serviços envolvidos.
Registrar esse tipo de informação parece complexo, mas com o App Diário de Obra você só precisa de alguns cliques. E se está em dúvida, não se preocupe: você pode usar o sistema gratuitamente por 30 dias. Crie uma conta e usufrua desse benefício!
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