6 erros no orçamento da obra que você não pode cometer

6 erros no orçamento da obra que você não pode cometer

Uma construção é cara, isso é inegável. Segundo o IBGE, o custo da mão de obra no setor subiu 69% entre 2012 e 2022. Para muitas construtoras, “baratear” ou desconsiderar esse fator na hora de elaborar o preço pode ajudar a se destacar em meio à concorrência. Contudo, esse é um dos erros no orçamento de uma obra que podem impactar seriamente as finanças da empresa.

Na hora de elaborar seu preço, não basta considerar material e trabalhador. Há uma série de fatores que você precisa calcular antes de enviar a cotação para o cliente. Neste texto, você descobrirá os 6 erros mais comuns no orçamento de obra e o passo a passo para evitar prejuízos. Continue a leitura:

6 erros no orçamento da obra e como evitá-los

Veja o que é indispensável na hora de calcular os custos de uma obra.

1. Não realizar visita técnica

Quando você não conhece as condições reais do local (acessibilidade, vizinhança, clima), calcula custos com base na sua experiência, mas não no que a obra realmente precisa. Na hora de calcular, o orçamentista deve considerar fatores como:

  • acessibilidade e logística: dificuldade de acesso para caminhões, necessidade de içamento de materiais, restrições de horário na vizinhança ou a distância para descarte de entulho;
  • condições do terreno: topografia, tipo de solo, presença de rochas ou lençóis freáticos que exigirão soluções de fundação mais caras e demoradas;
  • infraestrutura do canteiro: necessidade (ou não) de instalações provisórias complexas, custos com segurança e vigilância, disponibilidade de água e energia.

Como evitar: a visita técnica deve ser uma etapa inegociável do orçamento da obra. Portanto, o orçamentista deve ir a campo com um checklist com tudo o que precisa saber sobre a construção. Ele também precisa de um celular ou câmera para fotografar e filmar o tudo o que estiver anotado.

Outro fator importante é a análise do entorno. O profissional precisa verificar a vizinhança, o tráfego, a proximidade de hospitais ou escolas que possam impor restrições de ruído ou horário de trabalho. As anotações, fotos, vídeos e checklists ficarão no relatório diário de obra (RDO).

Por fim, todos os custos decorrentes das dificuldades logísticas, como transporte especial ou armazenamento, devem ser quantificados e incluídos como custos indiretos.

2. Desconsiderar custos indiretos e BDI

Numa construção, os gastos não estão apenas nos produtos, serviços e mão de obra do canteiro. Há uma série de custos que pesam, sim, no valor final do projeto. Despesas administrativas, seguros, impostos, aluguel de equipamentos de escritório são alguns dos custos que devem constar no seu orçamento. 

Para tal, você deve calcular o BDI (Benefícios e Despesas Indiretas) — percentual que, aplicado sobre o custo direto, garante a cobertura das despesas indiretas, impostos e a margem de lucro da construtora.

É essencial que o orçamentista não “chute” o BDI, pois essa estimativa pode não incluir gastos importantes e comprometer o ganho final.

Como evitar: O BDI deve ser calculado com base no atual projeto. Não adianta usar a porcentagem do trabalho anterior e colocar neste orçamento.

Calcule de forma analítica, item por item, considerando as despesas indiretas específicas (rateio da administração central, despesas financeiras, etc.). Depois, consulte a legislação municipal para o ISS e a legislação federal para a tributação (PIS, COFINS, IRPJ, CSLL), garantindo que a carga tributária esteja corretamente embutida.

Faça também uma simulação de diferentes cenários de BDI para entender o impacto no preço final e na margem de lucro, garantindo que o valor seja justo e sustentável.

3. Ignorar a Convenção Coletiva de Trabalho

Ainda entre os custos indiretos, um dos principais erros no orçamento de uma obra é não considerar a Convenção Coletiva de Trabalho (CCT), ato jurídico entre sindicatos de empregadores e empregados para estabelecer regras nas relações de trabalho. Para encontrá-la, o ideal é visitar o site do Sinduscon (Sindicato da Indústria da Construção Civil) do seu estado e verificar a CCT do ano vigente. 

A CCT é essencial porque aborda salários, faltas justificadas, auxílios, cesta básica, adicionais, encargos, vales e seguros.

Como evitar: utilize tabelas de encargos sociais atualizadas e específicas para o regime de contratação (horista, mensalista, etc.). Mantenha-se sempre atualizado com a CCT da região para incluir todos os benefícios e custos obrigatórios. Porém, também desenvolva composições de custo de mão de obra que reflitam a produtividade real da sua equipe e os encargos sociais específicos do seu projeto. Assim, você consegue calcular com base naquilo que o seu trabalhador consegue entregar.

4. Não equalizar as propostas

Empresas de um mesmo segmento podem oferecer seus preços de maneira diferente. Por exemplo: um mesmo serviço pode ser cobrado por hora ou por metragem.

Os serviços também podem se diferenciar no valor da entrega. Por exemplo: no tipo FOB (Free On Board), o custo do frete e do seguro é de responsabilidade da construtora. Já no CIF (Cost, Insurance and Freight), está incluído no preço do material, sendo responsabilidade do vendedor.

Como evitar: equalizar é tornar as propostas comparáveis. Portanto, exija que todos os fornecedores apresentem o preço na mesma condição — preferencialmente FOB, para que a construtora possa gerenciar o frete de forma centralizada).

Não se limite ao preço. Analise prazos de entrega, condições de pagamento e a capacidade de fornecimento do parceiro.

5. Não ter uma composição de custos própria

Trabalhar sem tabelas como TCPO e SINAPI é um dos erros de orçamento de obra. Porém, você não deve se limitar a elas. Afinal, cada região tem uma média própria de valores de materiais e equipamentos. Desconsiderá-la pode causar um “rombo” na cobrança final.

Também é essencial considerar que os valores da construção civil são voláteis. Materiais, combustíveis e serviços podem sofrer variações constantes por uma série de critérios de mercado. Portanto, além de ter uma tabela própria, você precisa atualizá-la periodicamente.

Como evitar: a composição de custo unitário (CCU) é o detalhamento de todos os insumos necessários para executar uma unidade de serviço. O ideal é fazê-la no formato de um banco de dados atualizado com constância.

Para garantir que os valores reflitam o mercado atual, faça cotações de preços de materiais e equipamentos com fornecedores locais. Também use o histórico de obras da sua empresa para ajustar os índices de produtividade da mão de obra e dos equipamentos.

6. Não incluir uma reserva de contingência

Uma obra pode sofrer imprevistos, como chuvas, acidentes, greves e problemas geotécnicos. Não considerá-los só para deixar o orçamento “enxuto” pode trazer custos extras no futuro que, infelizmente, serão cobertos pela própria construtora.

Como evitar: é fundamental colocar uma porcentagem (de 5% a 10% do custo total) para ter um valor mais justo, que contemple os riscos de uma obra. Faça também uma análise de riscos qualitativa e quantitativa para identificar potenciais riscos e impactos.

Faça seu orçamento com o App Diário de Obra

Como visto, um dos principais passos para evitar erros no orçamento da obra é fazer uma visita técnica. Nela, o orçamentista criará um checklist, anotará todos os pontos importantes e fará um registro com fotos e vídeos de todo o terreno e arredores. Esse registro precisa ser rápido, prático e se manter seguro em um banco de dados.

Com o App Diário de Obra, você cria o modelo do RDO que será usado em toda a obra. Além disso, pode montar diferentes checklists, anexar fotos e vídeos, salvar no sistema e manter o acesso apenas ao pessoal autorizado. Tudo isso de maneira intuitiva, para que você não perca muito tempo.

Se ainda tiver dúvidas, você pode usar a plataforma por 30 dias gratuitamente, sem ter que registrar seu cartão de crédito.

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Sistema web e mobile, destinado a registrar e monitorar de forma eficiente todas as atividades diárias da obra.

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