Instalações hidráulicas na construção civil: o que é essencial saber

Instalações hidráulicas na construção civil: o que é essencial saber

Todas as partes de uma obra são muito importantes, mas uma das que “escapam” do trabalho tradicional — com mestre de obra, pedreiros e ajudantes — é a de instalações hidráulicas. Por estar escondida, é muito esquecida, mas é sua via de canos que permite que a água tratada chegue até o usuário e ele possa tomar banho e manter sua casa limpa.

Esse sistema, porém, não se limita aos canos escondidos entre as paredes e o piso. Neste post, você entenderá como criar um projeto e quais as peças essenciais para instalações hidráulicas. Continue a leitura:

Quais as principais fases de um projeto hidráulico?

As instalações hidráulicas só ocorrem depois da criação de um projeto hidrossanitário capaz de atender a diversos fatores do uso do local. Complementar ao projeto arquitetônico, o documento precisa ter a descrição das dimensões e especificações dos canos e dutos, além da identificação do local onde estão estalados.

Veja como montar um projeto hidráulico:

Levantamento topográfico

É preciso fazer um levantamento topográfico da área onde a equipe fará as instalações hidráulicas para identificar os pontos mais altos e baixos do terreno. As informações levantadas durante esse procedimento vão orientar:

  • posição de redes existentes (água, esgoto, drenagem, elétrica, gás);
  • locais corretos para drenagem, esgoto e águas pluviais;
  • viabilidade de escoamento por gravidade;
  • profundidade das tubulações enterradas;
  • inclinações naturais do terreno;
  • cotas e níveis das tubulações.

Levantamento de dados 

Não é apenas do terreno que você precisa fazer o levantamento. Afinal, por ser um trabalho complementar ao arquitetônico, é preciso avaliar outros documentos para desenvolver um sistema hidráulico adequado àquela construção. 

A fase de levantamento de dados, apesar de ainda inicial, é a mais importante para a definição dos parâmetros do projeto. O engenheiro ou projetista deve coletar todas as informações necessárias para iniciar o trabalho:

  • análise arquitetônica: estudo detalhado da planta baixa, cortes e fachadas para identificar a localização dos pontos de consumo (torneiras, chuveiros, vasos sanitários) e coleta (ralos, caixas de gordura);
  • definição do sistema: determinação do tipo de sistema de abastecimento (direto, indireto com reservatório, hidropneumático) e do sistema de aquecimento de água (solar, a gás, elétrico);
  • dados da concessionária: verificação da pressão e vazão disponíveis na rede pública de abastecimento, além das exigências locais para o descarte de esgoto e águas pluviais;
  • normas e regulamentos: confirmação das normas técnicas (ABNT) e regulamentos municipais aplicáveis ao tipo de construção (residencial, comercial ou industrial).

Concepção e lançamento

Com os dados em mãos, o projetista define o esquema geral do sistema hidráulico ao traçar o caminho ideal das tubulações. Essa fase é essencialmente conceitual e de planejamento:

  • localização dos reservatórios: definição do volume e da posição da caixa d’água e, se necessário, da cisterna, para garantir o abastecimento e a pressão por gravidade;
  • traçado das redes: lançamento das tubulações de água fria e quente, esgoto e águas pluviais na planta;
  • definição de colunas e barriletes: estabelecimento das colunas de distribuição e do barrilete (tubulação principal que sai do reservatório), que alimentarão os diferentes pavimentos e ramais.

Cálculos 

O projetista realiza os cálculos hidrossanitários para determinar os diâmetros corretos das tubulações e o volume dos componentes. Para tal, ele faz:

cálculo de vazões: determina a vazão de projeto para cada trecho da tubulação, baseada na simultaneidade de uso dos aparelhos sanitários;

  • verificação de pressão: cálculo das perdas de carga ao longo da rede para garantir que a pressão final em cada ponto de consumo esteja dentro dos limites estabelecidos pela NBR 5626 (Instalação predial de água fria);
  • dimensionamento de esgoto: diâmetros e declividade das tubulações de esgoto e águas pluviais;
  • dimensionamento de reservatórios: volume de água necessário para o consumo diário da edificação, conforme o número de usuários e o tipo de uso.

Compatibilização

A compatibilização é o processo de verificar e ajustar o projeto hidráulico em relação aos demais da construção, como o estrutural (vigas, pilares, lajes) e o elétrico. Seu objetivo é garantir que as tubulações não passem por elementos estruturais críticos e que não haja interferência com a fiação elétrica ou dutos de ventilação.

Nos ajustes finais, o projetista faz as modificações necessárias no traçado para resolver quaisquer conflitos identificados, otimizando o espaço e facilitando a execução em campo.

Detalhamento 

A fase final consiste em transformar os cálculos e traçados em desenhos técnicos claros e especificações detalhadas, que servirão de guia para a equipe de execução:

  • desenhos técnicos: criação de plantas detalhadas, isométricos, cortes e detalhes construtivos, indicando a posição exata de tubos, conexões, registros e caixas de inspeção;
  • memorial descritivo: descreve o projeto, os critérios de dimensionamento utilizados, os materiais, as normas seguidas e as instruções para a instalação.
  • lista de materiais: lista quantitativa e qualitativa com todos os componentes necessários.

Quais os componentes essenciais das instalações hidráulicas?

Veja os itens básicos de qualquer instalação hidráulica feita em uma obra de construção civil:

Alimentação e abastecimento de água

  • bombas de recalque (em prédios ou locais com baixa pressão);
  • ramais de ligação (ligação com rede pública ou poço);
  • válvula de retenção (evita retorno da água);
  • reservatório superior (caixa d’água);
  • reservatório inferior (cisterna);
  • hidrômetro.

Distribuição de água fria e quente

  • registros (geral, de gaveta e de pressão);
  • aquecedores (a gás, elétrico ou solar);
  • tubulações (PVC, PPR, CPVC, cobre);
  • conexões (joelhos, tês, luvas, uniões);
  • misturadores e monocomandos;
  • válvula de descarga.

Sistema de esgoto sanitário

  • aparelhos sanitários (bacias, lavatórios, ralos);
  • caixa de gordura (obrigatória em cozinhas);
  • tubulações de esgoto (PVC);
  • coluna de ventilação;
  • colunas de esgoto;
  • caixa de inspeção;
  • caixas sifonadas;
  • sifões.

Drenagem de águas pluviais

  • condutores horizontais e verticais;
  • ralos de terraços/varandas;
  • tubulações de drenagem;
  • bocas de lobo;
  • calhas;
  • rufos.

Componentes de controle e segurança

  • dispositivos de proteção térmica;
  • válvulas redutoras de pressão;
  • válvulas de alívio;
  • filtros.

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