Impermeabilização na construção civil: como funciona
Na construção civil, a impermeabilização é uma das etapas mais críticas e, ao mesmo tempo, mais negligenciadas. É um sistema de proteção essencial que garante a durabilidade, a salubridade e o valor patrimonial de uma edificação. A falha na impermeabilização é a principal causa de patologias construtivas, como infiltrações, corrosão de armaduras, eflorescências e deterioração de acabamentos.
Entenda o que é a impermeabilização na construção civil, sua importância estratégica, os principais tipos de sistemas utilizados e a obrigatoriedade de seguir as diretrizes da norma NBR 9575:2010.
O que é impermeabilização?
A impermeabilização é o conjunto de operações e produtos que têm por objetivo proteger as construções contra a passagem indesejável de fluidos, vapores e umidade, provenientes de diversas fontes.
A água pode penetrar na estrutura de uma edificação de várias maneiras, cada uma exigindo uma solução específica:
- água de chuva: penetração direta em coberturas, lajes expostas, fachadas e esquadrias;
- umidade do solo: ascensão capilar por baldrames, paredes e pisos em contato direto com o solo;
- água de uso: vazamentos ou acúmulo em áreas molhadas, como banheiros, cozinhas, áreas de serviço e piscinas;
- vapor d’água: condensação em superfícies frias, especialmente em regiões de clima frio ou em câmaras frigoríficas.
Os danos causados pela infiltração vão além de manchas e bolhas na pintura: atingem a integridade estrutural (corrosão do aço da armadura), a saúde dos ocupantes (proliferação de fungos e mofo) e o conforto térmico.
A NBR 9575: o guia de impermeabilização na construção civil
A ABNT NBR 9575:2010 é a norma técnica que estabelece as exigências e recomendações relativas à seleção e ao projeto de impermeabilização, classificando as áreas a serem impermeabilizadas e os sistemas mais adequados.
Classificação das áreas
A norma classifica as áreas em função do tipo de solicitação e do risco de falha:
| Classe de Área | Tipo de Solicitação | Exemplos de Aplicação |
|---|---|---|
| Tipo 0 | Sem contato permanente com água. | Paredes internas de áreas secas. |
| Tipo 1 | Contato não permanente com água. | Banheiros, cozinhas, áreas de serviço. |
| Tipo 2 | Contato permanente com água. | Reservatórios, piscinas, jardineiras. |
| Tipo 3 | Contato permanente com água e alta pressão. | Subsolos, túneis. |
Projeto de impermeabilização
A NBR 9575 exige que a impermeabilização seja tratada como um projeto específico, e não como uma etapa de obra. Este projeto deve definir:
- diagnóstico: análise das condições do substrato e das solicitações de umidade;
- seleção do sistema: escolha do material e do método de aplicação mais adequados para a classe de área;
- detalhamento: desenhos e especificações de todos os pontos críticos, como ralos, juntas de dilatação, rodapés e passagem de tubulações.
Sistemas de impermeabilização: rígido x flexível
A norma classifica os sistemas de impermeabilização em dois grandes grupos, com base na capacidade de absorver movimentações da estrutura.
Impermeabilização rígida
A impermeabilização rígida é composta por materiais que, após a cura, apresentam baixa ou nenhuma capacidade de absorver deformações da estrutura.
- Composição: Geralmente argamassas aditivadas com hidrófugos, cimentos cristalizantes ou argamassas poliméricas de baixa flexibilidade.
- Onde Usar: Em estruturas que não estão sujeitas a grandes movimentações ou fissuras, como subsolos, poços de elevador, baldrames e reservatórios enterrados.
- Vantagens: Alta resistência à pressão hidrostática positiva e durabilidade em estruturas estáveis.
- Desvantagens: Não acompanha a movimentação térmica ou estrutural, podendo fissurar e falhar.
Impermeabilização flexível
A impermeabilização flexível é composta por materiais que possuem alta elasticidade e capacidade de absorver as movimentações da estrutura sem fissurar.
- composição: mantas asfálticas, membranas de poliuretano (PU), membranas acrílicas e emulsões asfálticas;
- onde usar: em áreas sujeitas a grandes variações de temperatura e movimentação estrutural, como lajes de cobertura expostas, terraços, varandas, piscinas elevadas e áreas frias com grandes dimensões.
- vantagens: acompanha a dilatação e retração da estrutura, oferecendo maior segurança contra fissuras.
- desvantagens: geralmente exige proteção mecânica e é mais sensível a danos por perfuração durante a aplicação.
Como fazer a impermeabilização na construção civil
Na construção civil, a execução da impermeabilização deve seguir rigorosamente as especificações do projeto e as diretrizes da ABNT NBR 9574:2013 (execução da impermeabilização). Veja como fazer:
Preparação da superfície
Esta é a etapa mais crucial. A falha na preparação compromete todo o sistema.
A superfície deve estar limpa, seca, isenta de poeira, óleos, graxas e partículas soltas. Além disso, o substrato deve ser regularizado com caimento adequado para os ralos (mínimo de 1% em áreas externas), evitando empoçamento de água.
Por fim, todos os cantos vivos devem ser arredondados (meia-cana ou chaflan) para evitar a ruptura do material impermeabilizante.
Tratamento de pontos críticos
Os pontos de maior risco de infiltração devem ser tratados com reforço.
As saídas de tubulações e ralos devem ser reforçadas com telas de poliéster ou mantas adicionais, garantindo a perfeita aderência do sistema. Já as de juntas de dilatação são preenchidas com selantes elásticos e cobertas com sistemas de impermeabilização específicos para juntas.
Aplicação e cura
A aplicação precisa seguir o consumo e o número de demãos especificados pelo fabricante e pelo projeto. O tempo de cura do material deve ser respeitado antes da próxima etapa (teste de estanqueidade ou proteção mecânica).
Teste de estanqueidade
Após a cura, é obrigatório realizar o teste de estanqueidade (ou teste de lâmina d’água) por no mínimo 72 horas. A área impermeabilizada é inundada com água, e a estrutura inferior é inspecionada para verificar a ausência de vazamentos.
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