BDI na construção civil: como funciona
Quando fazemos o orçamento para uma obra, pensamos nos custos com mão de obra e materiais, mas há muito mais envolvido nesse trabalho. Já parou para pensar que os gastos água, luz e até os seguros também devem constar nesse cálculo? É para isso que serve o BDI na construção civil.
Todo investimento feito na sua construtora é para oferecer um serviço melhor ao seu cliente. Portanto, você precisa “recuperá-lo” ao executar uma obra. Senão, as contas nunca vão fechar e, por mais que sua construtora trabalhe, correrá mais risco de fechar o mês no vermelho.
Neste post, você entenderá a importância do BDI na construção civil e como calculá-lo no orçamento. Confira!
O que é BDI?
BDI é a sigla para Benefícios e Despesas Indiretas, um índice percentual aplicado sobre os custos diretos de uma obra durante o cálculo do orçamento de uma obra. Fundamental para compor o preço final de venda, essa taxa evita que a empresa saia no prejuízo, pois insere itens essenciais para o trabalho, mas que não estão diretamente envolvidos na construção.
BDI e SINAPI
O Sistema Nacional de Pesquisa de Custos e Índices da Construção Civil (SINAPI) é a principal referência para o cálculo de custos diretos de uma obra. Produção conjunta da Caixa Econômica e do IBGE, a tabela traz, mensalmente, custos e índices do setor habitacional, incluindo as médias de:
- salários da mão de obra no canteiro;
- preços de materiais de construção;
- máquinas, equipamentos e serviços da construção para saneamento básico, infraestrutura e habitação.
Já os custos indiretos são aqueles que não estão diretamente envolvidos com a obra, mas que, sem eles, a empresa não tem como trabalhar. O próprio SINAPI estabelece exemplos de custos e despesas indiretas na construção civil:
- remuneração da equipe de administração e gestão técnica da obra: engenheiros, mestres de obra, encarregados, almoxarifes, apontadores e secretárias;
- equipamentos não considerados nas composições de custos de serviços específicos, como gruas e cremalheiras;
- custos com a manutenção do canteiro: água, energia, internet, suprimentos de informática e papelaria;
- mobilização e desmobilização de ativos considerando seus locais de origem e a localização da obra;
- pagamento de tributos: valores que a empresa precisa pagar ao Estado, como impostos sobre faturamento, mão de obra (INSS), e o Regime Especial de Tributação (RET);
- custos da administração central: despesas indiretas e fixas da sede da empresa, como RH, financeiro, contábil, marketing e pró-labore;
- remuneração ao construtor pela assunção de riscos do empreendimento;
- compensação de despesas financeiras ocasionadas pelo intervalo decorrido entre gasto, medição e recebimento.
Outro fator que sua construtora não pode esquecer é a bonificação, ou seja, a parcela destinada à remuneração da empresa pela execução do serviço. É a margem de lucro que você deseja ter ao executar o trabalho.
Adicional de risco
Outro fator muitas vezes ignorado em um orçamento é o risco. Por isso, é preciso colocar um adicional capaz de cobrir custos de seguros para danos materiais, acidentes de trabalho e responsabilidade civil, por exemplo.
O BDI é calculado com o orçamento da obra?
Sim, mas não faz parte do custo da construção, e sim aplicado sobre o custo direto. O cliente, porém, só verá o preço final, sem essa
Como calcular o BDI na construção civil?
O cálculo do BDI transforma o custo direto da obra (materiais + mão de obra + equipamentos) no preço de venda, incluindo despesas indiretas, riscos e lucro.
A fórmula mais usada é:
BDI = DI + DF + R + L + I
1 – I
Traduzindo as siglas:
Despesas indiretas (DI)
São aquelas que não estão diretamente ligadas a um serviço específico, como administração da obra, escritório central, engenharia e supervisão. Pode custar de 5% a 15% do orçamento.
Despesas financeiras (DF)
São relacionadas ao dinheiro no tempo, como juros, financiamentos e atrasos de pagamento. Podem custar de 1% a 3% do faturamento.
Riscos (R)
Margem para imprevistos, como erros de orçamento, alterações no clima que impeçam a continuidade da obra (por exemplo, tempestades) e problemas operacionais. Costumam ser de 1% a 5% do valor do faturamento.
Lucro (L)
Lucro é a margem de ganho financeiro desejada pela empresa para executar aquela obra. Costuma variar bastante entre uma construtora e outra, mas costuma ir de 5% a 20%.
Impostos (I)
Depende do regime tributário. Os que geralmente constam no BDI são:
- ISS (Imposto Sobre Serviços): imposto municipal que incide sobre a prestação de serviço;
- PIS e COFINS: são impostos federais que incidem sobre o faturamento.
IRPJ e CSLL nem sempre são contados no BDI. Já INSS da folha, FGTS e custos trabalhistas também não contam, pois já estão no custo direto.
Os impostos podem variar de 6% a 20% (ou mais) no orçamento.
Como aplicar o BDI
Vamos supor os seguintes valores para o BDI:
- DI = 10%
- DF = 2%
- R = 3%
- L = 10%
- I = 12%
Aplicando:
BDI = 0.10 + 0.02 + 0.03 + 0.10 + 0.12
1 – 0.12
Resultado: 0,37 (ou 37%).
Se o custo direto da obra for R$ 100 mil, faça o seguinte cálculo:
- Preço de venda = 100.000 × (1 + 0,37)
Resultado: R$137 mil.
Atenção: BDI não é um valor fixo
O cálculo do BDI muda de acordo com o trabalho. Cada obra tem suas particularidades e, portanto, um item pode ou não ser cobrado no seu orçamento. Tipo de obra (residencial, industrial, pública), região, prazo, complexidade e regime tributário influenciam diretamente nessa conta.
Para facilitar, você pode ter BDIs diferentes por tipo de contrato.
App Diário de Obra: cálculo do BDI com mais precisão
Seja para calcular o BDI, seja para conferir os custos diretos da obra, você precisa saber o que seus funcionários utilizam ou não no dia a dia de trabalho. E nada melhor do que contar com a praticidade do seu celular.
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