Análise preliminar de riscos (APR): o que é e como implementar

Análise preliminar de riscos (APR): o que é e como implementar

O setor de construção civil é um dos que mais causam acidentes de trabalho. Para se ter uma ideia, em 2024 foram 5.438 acidentes em construções de edifícios — e essa é apenas uma fatia de todos os trabalhos que o segmento envolve. Para evitar esse tipo de ocorrência, existe a análise preliminar de riscos (APR), uma ferramenta para prevenir perigos e manter a saúde do trabalhador.

Neste post, você entenderá o que é APR, qual a sua importância e como implementá-la em sua construtora. Continue a leitura:

O que é a análise preliminar de riscos (APR)?

Análise preliminar de riscos é um estudo técnico e sistemático realizado na fase de planejamento ou no início de uma atividade no canteiro. Seu principal objetivo é identificar, avaliar e controlar os riscos potenciais associados a cada etapa da obra.

Geralmente, a APR responde a três perguntas cruciais sobre uma determinada tarefa:

  1. O que pode dar errado? (Identificação do perigo e do risco)
  2. Qual a probabilidade e a consequência desse evento? (Avaliação do risco)
  3. O que deve ser feito para evitar ou mitigar o evento? (Definição das medidas de controle)

Na construção civil, a APR é um requisito previsto pela Norma Regulamentadora n.º 18 (NR 18), que estabelece as diretrizes de segurança e saúde no trabalho na indústria. 

Para seguir o que a disposição pede, a análise deve ser elaborada por um profissional qualificado em segurança do trabalho, em conjunto com a equipe de planejamento e os executores da obra. Assim, você garante que o conhecimento técnico se some à experiência prática do canteiro.

A importância da APR numa obra

Como visto, a construção civil é um dos setores com maior índice de acidentes de trabalho, o que torna a APR uma ferramenta indispensável. Implementá-la não é apenas cumprir uma determinação legal, mas zelar pela vida do trabalhador.

Veja como a análise de riscos pode beneficiar o canteiro e a equipe de trabalho

Prevenção de acidentes

O objetivo primordial da APR é a proteção da vida. Ao antecipar os perigos — quedas, choques elétricos, soterramentos ou exposição a agentes químicos — a construtora pode implementar medidas de controle eficazes, como o fornecimento de equipamentos de proteção individual (EPIs) e coletiva (EPCs).

A identificação prévia de riscos permite implementar procedimentos de trabalho mais seguros, reduzindo drasticamente a probabilidade de incidentes graves.

Conformidade legal e redução de custos

Ignorar a APR pode resultar em multas pesadas, interdição de atividades e, em casos extremos, responsabilização civil e criminal dos gestores. 

Ao documentar o processo de gestão de riscos, você prova que a construtora trabalhou para garantir um ambiente de trabalho seguro. Além disso, a prevenção de acidentes gera uma economia significativa, evitando custos diretos (tratamento médico, indenizações, afastamentos) e indiretos (atrasos na obra, substituição de mão de obra, danos a equipamentos e materiais).

Melhoria Contínua

A APR não é um documento estático. Ao ser aplicada e revisada continuamente, contribui para a formação de uma base de conhecimento da construtora. Análises de risco de projetos anteriores, por exemplo, podem ser utilizadas como ponto de partida para novas obras, o que permite que a equipe se concentre em riscos específicos da obra atual.

Passo a passo para fazer a APR

Agora que você entende a importância da análise prévia de riscos, é o momento de saber como implementá-la.

A elaboração de uma APR eficaz segue uma metodologia estruturada, que deve ser aplicada a cada atividade crítica da obra. O processo pode ser dividido em seis etapas principais:

1. Levante o histórico de obras anteriores

Análises anteriores vão otimizar muito o seu tempo com a prevenção de riscos na obra atual. Consulte APRs e relatórios de acidentes de projetos similares para identificar riscos recorrentes e as medidas de controle que se mostraram eficazes. 

2. Avalie e revise os detalhes da atividade

É preciso entender qual será a tarefa feita no ambiente, ou seja, em qual fase a obra está. Isso inclui a sequência de execução, materiais, ferramentas, equipamentos, número de trabalhadores e condições ambientais do local. Quanto mais detalhada a descrição da atividade, mais precisa será a identificação dos riscos.

3. Liste os principais riscos da atividade

Nesta etapa, a equipe multidisciplinar (segurança, engenharia e execução) deve listar todos os perigos que podem levar a um acidente ou doença ocupacional. Os riscos são classificados em categorias, como:

  • físicos: ruído, calor;
  • químicos: poeira, gases;
  • biológicos: esgoto, água contaminada, mofo;
  • ergonômicos: postura inadequada;
  • de acidentes: queda, choque elétrico.

4. Aponte as medidas para eliminar ou neutralizar riscos

Para cada risco identificado, deve-se definir uma medida de controle. A hierarquia de controle de riscos deve ser sempre priorizada:

  • eliminação: remover o perigo (por exemplo: substituir uma substância tóxica por outra mais segura);
  • substituição: trocar o perigo por um menor (ex.: usar andaimes em vez de escadas);
  • controles de engenharia: instalar dispositivos de proteção coletiva (ex.: guarda-corpos, ventilação);
  • controles administrativos: criar procedimentos, treinamentos e sinalização;
  • EPIs: fornecer e fiscalizar o uso de equipamentos de proteção individual (última linha de defesa).

5. Monte o plano de ação

Mesmo com todas as medidas preventivas, a possibilidade de um acidente não é nula. Por isso, a APR deve incluir um plano de ação detalhado para ser executado em caso de emergência. O documento deve contar com procedimentos de resgate, primeiros socorros e comunicação de crise para minimizar as consequências do evento.

6. Identifique os responsáveis pela segurança

A APR deve designar claramente quem é o responsável por supervisionar a aplicação das medidas de controle e garantir que os procedimentos de segurança sejam seguidos durante a execução da tarefa.

Como estruturar a APR

O documento final da APR deve ser claro, objetivo e de fácil compreensão por todos os trabalhadores da obra. Embora o formato possa variar, os elementos essenciais são:

Elemento Descrição Exemplo
Atividade Tarefa específica a executar Montagem de forma para pilar
Perigo Fonte ou situação com potencial para causar dano. Trabalho em altura (acima de 2 m)
Dano Lesão ou agravo à saúde resultante do perigo Queda, lesão grave, óbito
Controle Medidas preventivas para evitar o dano Uso de cinto de segurança tipo paraquedista, instalação de linha de vida e guarda-corpo
Probabilidade Avaliação da chance de ocorrência do problema (baixa, média, alta) Média
Impacto Avaliação da consequência do evento (leve, moderado, crítico) Crítico
Plano de ação Medidas a tomar em caso de ocorrência Acionamento imediato da equipe de resgate e ambulância
Número de pessoas expostas Quantidade de trabalhadores envolvidos na tarefa Quatro

Monte sua APR com o App Diário de Obra

Viu riscos que podem ser fotografados? Descobriu alguma fonte de perigos biológicos ou químicos? Notou que alguma parte da obra pode causar um risco ergonômico ou de acidente? Com um simples app, você pode anotar e salvar fotos e vídeos de tudo o que foi descoberto durante a análise.

Com o App Diário de Obra, você anota tudo o que de mais importante ocorre antes, durante e depois da obra. Com essas anotações, pode montar seus relatórios diários de obra (RDOs) e outros documentos importantes para a construção civil, como a APR.

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