O que é síndrome do edifício doente e como ela te afeta

O que é síndrome do edifício doente e como ela te afeta

Nos últimos anos, a qualidade do ar tem sido um tema debatido por governos, imprensa e até empresas. Em 2025, a concentração de poluentes em todo o Brasil ultrapassou frequentemente o limite máximo admitido pela Organização Mundial da Saúde (OMS). Mas isso não afeta apenas a qualidade do ar externo.

Mesmo que o ar externo esteja poluído, ele circula — o que permite sua renovação e, consequentemente, evita doenças. Quando essa renovação é comprometida, o indivíduo sofre com problemas respiratórios. É nesse contexto que surge a síndrome do edifício doente.

Também conhecida como “Sick Building Syndrome” (SBS), essa condição está relacionada à má qualidade do ar interno e a fatores ambientais que afetam diretamente sua saúde. Entender esse fenômeno é fundamental tanto para evitar problemas futuros quanto para agregar valor aos empreendimentos.

Entenda o que é a síndrome do edifício doente, suas causas, sintomas, impactos e, principalmente, como evitá-la desde a fase de projeto.

O que é a síndrome do edifício doente?

A síndrome do edifício doente é caracterizada pela ocorrência de sintomas de desconforto e problemas de saúde em ocupantes de um edifício, sem que haja uma doença específica identificada como causa direta. 

A causa para o problema é a contaminação e falta de qualidade do ar, o que faz Esses sintomas geralmente estão associados ao tempo de permanência no ambiente e tendem a desaparecer quando a pessoa se afasta do local.

Entre os sintomas mais comuns, destacam-se:

  • irritação nos olhos, nariz e garganta;
  • problemas respiratórios leves;
  • dificuldade de concentração;
  • dor de cabeça;
  • tontura;
  • fadiga.

Embora muitas vezes não sejam graves, esses sintomas impactam diretamente a produtividade, o bem-estar e a qualidade de vida dos usuários.

Principais causas

Assim como ocorre com a maioria dos problemas de uma construção, a SBS não tem uma única causa. Na maioria dos casos, é resultado de uma combinação de fatores. Veja os principais:

Ventilação inadequada

Mesmo que o imóvel tenha saída de ar-condicionado, ventiladores de teto e outras ferramentas de ventilação artificial, a falta de renovação do ar é um dos principais fatores para a síndrome. Ambientes fechados, com pouca circulação de ar externo, favorecem o acúmulo de poluentes.

Sistemas de ar-condicionado mal dimensionados ou mal mantidos também contribuem para o problema.

Poluentes químicos

Diversos materiais utilizados na construção e no acabamento liberam compostos orgânicos voláteis (VOCs), como tintas, vernizes, colas, revestimentos e móveis. Em um ambiente mal ventilado, por exemplo, o cheiro desses materiais pode permanecer por muito mais tempo e, consequentemente, comprometer a qualidade do ar por completo.

Contaminação biológica

Ambientes úmidos, infiltrações e sistemas de climatização mal higienizados favorecem a contaminação e proliferação de A presença de fungos, bactérias e ácaros.

Problemas de umidade

A umidade excessiva contribui para o crescimento de mofo e bolor, que impactam diretamente a saúde respiratória.

Iluminação e conforto térmico inadequados

Embora menos óbvios, fatores como iluminação artificial excessiva ou insuficiente, além de temperaturas desconfortáveis, também influenciam o bem-estar dos ocupantes.

Impactos para construtoras e empreendimentos

Ignorar a síndrome do edifício doente pode gerar consequências significativas para construtoras e incorporadoras. Mesmo que os sintomas apareçam com o tempo, a reputação da construtora será comprometida.

Imagine que a circulação de ar no imóvel não seja uma preocupação do arquiteto ou engenheiro responsável pelos projetos da sua construtora. Com o tempo, parecerá um padrão: os empreendimentos construídos por sua empresa parecem sempre causar problemas respiratórios.

Novamente, pode parecer difícil reconhecer. Afinal, quem notará esse padrão? Continuando nesse exemplo, pense que seu cliente contrata outra construtora ou empresa que faz uma avaliação do imóvel para emissão de laudo. Nesse contexto, descobre que há um problema de circulação do ar no imóvel e, pior, já nota esse mesmo padrão em outros imóveis da empresa.

A construção de uma boa reputação dá trabalho, mas perdê-la, infelizmente, ocorre com rapidez. Entenda por que você precisa se preocupar com a síndrome do edifício doente antes de começar a desenhar qualquer projeto:

  • insatisfação dos usuários: ambientes com ventilação prejudicada geram desconforto térmico e, pior, esse acúmulo de ar contaminado. Como consequência, os clientes reclamam (com razão), o que prejudica a reputação do empreendimento;
  • queda de produtividade: imagine ficar horas em um ambiente abafado e com a qualidade do ar comprometida. Em edifícios comerciais, a SBS pode reduzir significativamente o desempenho dos colaboradores.
  • custos com manutenção e correções: problemas relacionados à ventilação, umidade e sistemas de climatização podem exigir intervenções corretivas complexas e caras;
  • riscos legais: em alguns casos, problemas de saúde associados ao ambiente podem resultar em processos judiciais;
  • desvalorização do imóvel: empreendimentos com histórico de problemas tendem a perder valor de mercado.

Como evitar a síndrome do edifício doente

A boa notícia é que a SBS pode ser evitada — e o melhor momento para isso é ainda na fase de projeto. Veja o que o engenheiro responsável precisa apresentar para evitar o problema:

Invista em ventilação adequada

Qualquer projeto deve priorizar a renovação do ar, seja por ventilação natural ou sistemas mecânicos eficientes. Contudo, a circulação natural traz mais vantagens: facilita a troca de oxigênio, é mais sustentável, evita a umidade, deixa o ambiente mais fresco e diminui os custos com energia elétrica.

Independentemente do tipo de ventilação, apresente um projeto com dimensionamento correto do sistema de climatização, entrada de ar externo e indicação de manutenção periódica dos equipamentos.

Escolha materiais de baixa emissão

Mesmo que tinta e cola, por exemplo, tenham um cheiro forte, é possível optar por materiais com baixa emissão de VOCs é essencial.

Hoje, o mercado já oferece tintas ecológicas, revestimentos certificados e mobiliário com menor emissão de poluentes. Além de diminuir as chances de síndrome do edifício doente, você ainda apresenta um projeto mais sustentável ao mercado.

Controle a umidade

Evitar infiltrações e garantir impermeabilização adequada evitam a SBS e proporcionam mais qualidade ao projeto. Para tal, o engenheiro pode investir em sistemas de drenagem mais eficientes e evitar a condensação de ar em ambientes internos.

Mesmo que essas estratégias exijam um investimento financeiro maior, explique ao cliente sobre essa importância para a durabilidade do imóvel e saúde dos usuários.

Priorize o conforto ambiental

Novamente, precisamos ressaltar a importância da circulação natural de ar. Desenvolva um projeto que priorize a ventilação, iluminação solar, conforto térmico e acústico.

Normas e certificações relacionadas

A preocupação com a qualidade do ambiente interno já está presente em diversas normas e certificações.

Entre as mais relevantes, destacam-se as normas de qualidade do ar interior, certificações ambientais (como LEED) e diretrizes de saúde ocupacional. Esses referenciais ajudam a orientar boas práticas e agregam valor ao empreendimento.

Mais qualidade na sua construção com o App Diário de Obra

Uma forma de evitar uma potencial síndrome do edifício doente é acompanhar passo a passo da construção, desde o planejamento até a entrega. E para tal, você precisa desenvolver registros que “contem a história” de cada trabalho da sua construtora.

Com o App Diário de Obra, você faz relatórios diários de obra (RDOs) que contam todo o trabalho feito até chegar ao trabalho final. E em casos de reforma, por exemplo, ele será o seu melhor amigo: até mesmo em um momento de conserto de imóveis com SBS você poderá anotar todo o passo a passo no seu App.

Conheça o App Diário de Obra! 

 

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